Ir para o conteúdo

Rastreabilidade · 6 min

EUDR e rastreabilidade no agro: como organizar os dados de origem da produção

A informação de origem nasce no campo e precisa acompanhar a cadeia. Veja como organizar cadastros, dados territoriais e evidências para apoiar as análises.

Se um comprador pedisse hoje as informações de origem da produção e os documentos que sustentam sua análise, quanto tempo sua empresa levaria para reunir esse material?

Em uma operação que compra de vários produtores, a resposta pode depender de planilhas, sistemas, arquivos e mensagens distribuídos entre pessoas e áreas. O dado existe, mas encontrar sua versão correta e relacioná-lo à produção exige trabalho.

A EUDR coloca esse desafio em evidência. Para o produtor, a cooperativa e a agroindústria, entender o caminho da informação ajuda a identificar o que precisa ser organizado antes de uma solicitação do comprador.

Assistir no YouTube

O que é a EUDR e por que ela interessa ao agro brasileiro

A EUDR é o regulamento da União Europeia sobre produtos livres de desmatamento. Seu alcance depende dos produtos listados no Anexo I e da atividade realizada na cadeia. Entre as matérias-primas abrangidas estão soja, café, bovinos, cacau, madeira, borracha e palma de óleo.

Para os produtos e operações abrangidos, entram em análise critérios de desmatamento e de legalidade da produção. Isso não significa que toda produção brasileira esteja sujeita às mesmas obrigações.

Segundo a Comissão Europeia, fornecedores de fora da União Europeia podem receber pedidos de dados, como a localização da produção, para apoiar o cumprimento das obrigações dos participantes responsáveis no mercado europeu.

Fonte: Comissão Europeia — implementação da EUDR.

Quais prazos considerar

Na orientação oficial consultada em 29 de outubro de 2026, a aplicação está prevista para:

  • 30 de dezembro de 2026: grandes e médios operadores e micro e pequenos operadores já abrangidos pelo regulamento europeu da madeira, o EUTR.
  • 30 de junho de 2027: demais micro e pequenos operadores elegíveis, conforme as condições de enquadramento.

Há regras específicas de transição e de escopo. Produtos acrescentados pelo Regulamento Delegado (UE) 2026/2102 têm aplicação prevista para 30 de dezembro de 2027. Por isso, confirme a classificação do produto e o papel da empresa antes de definir seu cronograma.

Fonte: Comissão Europeia — papéis, responsabilidades e prazos.

A informação começa no campo

Quem produz conhece a área e acompanha as atividades. Quando a produção é comercializada, parte desse conhecimento precisa ser registrada de forma que outros participantes consigam utilizá-la.

Imagine uma cooperativa que reúne a produção de diferentes propriedades. Para responder a uma solicitação de origem, ela precisa relacionar fornecedores, áreas e registros da produção. Se cada equipe utiliza um nome diferente para a mesma propriedade, a conferência pode começar antes mesmo da análise territorial.

Na agroindústria, o desafio pode incluir conectar informações de recebimento às etapas seguintes. Para o produtor, pode começar pela identificação consistente das áreas e pela organização dos documentos solicitados.

Esses exemplos são ilustrativos. O fluxo necessário deve ser definido para cada cadeia, produto e operação.

Geolocalização, rastreabilidade e análise são partes diferentes do trabalho

Geolocalização identifica onde a produção ocorreu. Rastreabilidade relaciona essa origem aos registros e movimentos do produto. Análise geoespacial cruza informações de localização com outras bases territoriais e critérios definidos.

Ter um mapa não estabelece, por si só, a ligação com a produção comercializada. Ter um cadastro também não mostra automaticamente quais documentos ou verificações sustentam uma conclusão.

Na orientação da Comissão Europeia, a diligência devida envolve coleta de informações, avaliação de risco e, quando necessária, mitigação. Entre os dados estão fornecedor, produto, quantidade, período e localização da produção, além das evidências pertinentes. As exigências e eventuais simplificações dependem do enquadramento.

Fonte: Comissão Europeia — diligência devida.

Por onde começar a organização dos dados

O primeiro passo é identificar quais informações precisam circular e quem responde por elas. A tabela abaixo é um ponto de partida para organizar o processo; não é um checklist completo de conformidade.

Uma forma prática de começar é escolher um fluxo representativo e acompanhá-lo de ponta a ponta. Use um caso autorizado ou de teste e verifique onde a informação se perde, precisa ser redigitada ou fica sem responsável.

FrentePergunta para a equipeAção inicial
FornecedoresConseguimos reconhecer o mesmo fornecedor em todos os sistemas?Padronizar a identificação e tratar duplicidades
Áreas de produçãoSabemos qual área está associada a cada registro?Conferir identificadores e dados de localização
Produção e movimentaçãoO registro mantém a relação com sua origem ao mudar de etapa?Mapear como essa relação é preservada
Documentos e evidênciasÉ possível localizar o material que fundamentou a análise?Relacionar arquivos ao registro correspondente
Critérios e resultadosSabemos quais informações e regras foram utilizadas?Guardar referência de versões, datas e responsáveis
PendênciasEstá claro o que falta e quem precisa agir?Organizar responsáveis, status e acompanhamento

Como integração e automação podem ajudar

Uma integração permite que sistemas troquem informações conforme regras definidas. Ela pode evitar a transferência manual de cadastros e resultados quando as ferramentas oferecem os acessos necessários.

Para aprofundar esse ponto, veja quando conectar as ferramentas da operação no agronegócio.

A automação pode apoiar conferências de preenchimento, encaminhamento de pendências e atualização de status. O processamento geoespacial pode organizar cruzamentos territoriais para análise.

O desenho precisa prever exceções. O que acontece se uma área vier sem identificação? Como corrigir um cadastro duplicado? Quem revisa um resultado inconclusivo? Como acompanhar uma conexão que deixou de funcionar?

Essas respostas ajudam a transformar uma sequência de arquivos em um processo que a equipe consegue operar e acompanhar. A qualidade dos dados e a validação dos especialistas continuam necessárias.

A contribuição da Vexium no ElegiAgro

A Vexium atua no desenvolvimento do ElegiAgro, projeto da Embrapa Agricultura Digital voltado à análise de elegibilidade da produção sustentável.

Nossa contribuição tecnológica envolve desenvolvimento e evolução do núcleo de elegibilidade por API, cruzamentos geoespaciais e integração dos resultados com aplicações. Uma API é uma interface que permite a troca organizada de informações entre sistemas.

Essa atuação aproxima engenharia de software, dados e contexto territorial. Os critérios e sua validação pertencem às instituições e aos especialistas responsáveis. O resultado tecnológico apoia as análises e não deve ser apresentado como certificado ou garantia automática de conformidade.

Uma pergunta para encaminhar o próximo passo

Sua equipe consegue relacionar uma informação de origem ao fornecedor, à área, ao registro de produção e às evidências utilizadas na análise?

Se a resposta exige procurar em vários lugares, vale mapear esse caminho. A prioridade pode ser organizar cadastros, melhorar a coleta, conectar ferramentas ou desenvolver uma aplicação específica.

A Vexium atua no desenvolvimento e na integração de soluções digitais para o agronegócio. Podemos conversar sobre o fluxo de informações da sua operação e avaliar onde software, dados e inteligência geoespacial podem contribuir.

Conversar sobre meus dados e sistemas.

Vamos conversar sobre a sua operação

Uma primeira conversa para conhecer o seu cenário, identificar prioridades e avaliar como podemos contribuir.